Amélia
O termo é definido como "mulher que aceita toda sorte de privações e/ou vexames sem reclamar, por amor a seu homem". A origem é o samba Aí, que saudades da Amélia, música de Ataulfo Alves e letra de Mário Lago, sucesso estrondoso no carnaval de 1942 e uma das músicas mais gravadas do país. Em 1953, Mário Lago deu uma entrevista dizendo que a tal Amélia tinha sido lavadeira da cantora Araci de Almeida e que ele nem tinha conhecido. O irmão da cantora, o baterista Almeidinha, é que vivia, nos estúdios de gravação, enaltecendo sua simplicidade e comentando que ela fazia tudo por amor a seu homem e que aquilo, sim, é que era mulher, o que teria inspirado o autor. Na composição, Mário Lago começa falando da companheira do momento, que só pensa em luxo e riqueza, e a contrapõe à ex-mulher, Amélia, que não tinha a menor vaidade. A letra poderia ser entendida como uma exaltação ao amor verdadeiro, desinteressado. Mas na leitura de uma parcela das feministas não passou de um hino à submissão feminina, o que evidentemente desagradou o autor, famoso, não apenas como artista, mas também como militante político de esquerda. Para saber quem tem razão basta analisar a letra completa da música que, apesar da enorme polêmica que desencadeou, é muito curta. Na década de 1980, um revista descobriu Amélia dos Santos Ferreira, que tinha trabalhado muito tempo como empregada doméstica de Araci de Almeida e que passou a ser considerada a musa inspiradora. Mas nem o autor nem ela própria nunca tiveram condições de assegurar que se tratava realmente da Amélia de quem falava Almeidinha. (Fonte - A origem curiosa das palavras - Márcio Bueno).
Ai, que saudades da Amélia - Ataulfo Alves - Mario Lago.
Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era mulher de verdade.
Pensado e publicado por Santo Aleixo às 19h55
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